PALAVRAS

Era um arroubo que foi e que passou.
Que veio e que roubou só um som.
Pena que era um som digno de se ver
pronunciado por lábios atraentes.
E agora o mundo começa com Z e termina em B.
E agora, tão de repente,
a boca não se abre para passar o ar.
Pulmões de partículas pesadas em inércia.
Inércia de palavras pensadas
até chegar ao devaneio
sem nunca concluir para o quê que veio
o cérebro a um mundo pensante.
Daquele momento em diante
era uma era de humanos que erram
em que época se encontram.
Correria de pernas postiças
afundando em charcos atemporais.
Mas era um arroubo universal.
E o clima estava de novo de repente
propício a se transformar em ventos loucos.
Temporais varriam a existência de vogais abertas
a novidades que surgiam.
Era um tempo de verdades arrombadas ao meio-dia,
restando pedaços sem sentido de palavras dilaceradas.
Quem era aquele que entre os pedaços recolhia
membros para construir um corpo?

Stato

La valoroj de la vortoj

Ŝajnas al mi, ke, aldone al la signifo, vortoj havas ankaŭ valorojn. Temas pri la graveco de la vortoj por specifa lingvokomunumo; pri valoroj, kiuj ŝanĝiĝas depende de la lingvo, de la parolantoj kaj de la alkutimiĝo de la parolantoj al tiuj vortoj. En Esperanto, la vortoj “kritiko” kaj “recenzo” aperas al mi kiel normalaj, rutinaj, sen specialaj nuancoj. Sed, en la portugala lingvo, la samaj vortoj “crítica” kaj “resenha” sonas al mi pli elegantaj, kun aludo al poluriteco, rafiniteco, subtileco…