NUMA TARDE

Voei sobre a amplidão da humanidade
e vi você sentado numa varanda.
Fumo, fumaça e fogo.
Havia um olho arregalado no alto do céu.
Senti cheiro de coisa queimada.
Eram doze horas nos relógios de um milhão de pessoas.
Vi um milhão de humanos pensarem coisas semelhantes.
O que você pensava?
Voei sobre uma multidão de carne em movimento.
Gritei que estavam devorando um humano na praça.
Me responderam que sim,
os tempos áureos do canibalismo estavam de volta.
Por que você estava sentado na varanda?
Voei sobre a amplidão dos que vivem e dos que morreram.
Não encontrei o seu nome listado.
Quando você nasceu?
Sinto que há uma lacuna em minha memória.
Há espaços vazios no universo.
Sei agora que mãos manipulam uma máquina no vácuo,
sem que eu ouça o som das engrenagens.
Para aplacar minha incompreensão,
quis destruir todas as varandas que existem.
O que você fazia lá?
Corpos humanos se mexiam em círculos concêntricos.
Dedos e dardos.
Vi você na tarde da última varanda,
sentado na sombra de telhas vermelhas.
O que você pensava?

Respondi

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